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Estrada para Damasco

Um blogue sobre comunicação clara de ciência

Acredita se alguém lhe disser que sem insetos não tinha alguns alimentos?

18.11.19 | Cristina Nobre Soares

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O Gonçalo Duarte foi aluno da segunda edição do curso “Comunicar Ciência Clara”, que decorreu no Instituto Superior de Agronomia. O Gonçalo é doutorando de Engenharia Agronómica no Instituto Superior de Agronomia. Tinha como desafio, tal como os restantes alunos, escrever um texto de divulgação cientifica com cerca de 400 palavras e escolheu este tema:

 

Acredita se alguém lhe disser que sem insetos não tinha alguns alimentos?

Apesar de muitas pessoas os considerarem incómodos e até repugnantes, os insetos são muito importantes para o equilíbrio do nosso planeta. E todos nós dependemos da sua atividade.

Há imensos insetos no mundo. Cerca de 75% das espécies de animais existentes no planeta são insetos e estão sempre a ser descobertas novas espécies.

Ao longo de milhões de anos, os insetos adaptaram-se a ambientes muito variados, sendo até possível encontrá-los em lugares tão hostis como a Antártida. Esta enorme capacidade de adaptação e diversificação faz com que existam espécies para todas as funções e isso é excelente para o Homem.


Um exemplo disto foi quando os europeus chegaram à Austrália e levaram animais de quinta, incluindo vacas. A quantidade de fezes que estas produziam tornou-se um problema. É que antes da chegada dos europeus, não existiam na Austrália animais ruminantes (vacas, cabras e ovelhas) nativos e, portanto, nenhum inseto australiano conseguia decompor estas “novas” fezes.

Para resolver este problema, os europeus trouxeram os escaravelhos-bosteiros de África e Europa. Estes insetos recolhem as fezes de ruminantes e formam bolas, do tamanho de bolas de ténis, que as fêmeas usam para alimentar a descendência. A atividade dos bosteiros permite que as fezes sejam distribuídas e incorporadas no solo, enriquecendo-o.


Os insetos são também fundamentais para a quantidade e qualidade dos produtos agrícolas.

O tomate que todos comemos em saladas é, habitualmente, produzido em estufas. Para que a planta produza muitos tomates e estes tenham bom aspeto, é preciso que sejam bem polinizados (que o pólen da parte masculina da flor seja colocado na parte feminina). 

Antigamente, o tomate era polinizado à mão, agitando as flores com vibradores manuais. Desde os anos 90 que algumas empresas produzem e vendem colmeias de abelhões (aqueles peludos, amarelos e pretos), para polinizar o tomate. Acontece que os abelhões são dos poucos insetos que gostam de visitar as flores de tomate. E, ao contrário das abelhas do mel, não se tornam agressivos com o calor nas estufas.

 

Os decompositores e polinizadores são fundamentais, mas existe ainda outro serviço muito importante que os insetos prestam aos agricultores: ajudarem a controlar as pragas das culturas.

Apesar de não repararmos nisso, o mundo dos insetos é muito pouco pacífico. Muitos insetos são predadores (comem outros animais) e, muitas vezes, comem pragas que causam estragos às plantas cultivadas pelo Homem. É o caso das joaninhas que vemos no jardim, mas não notamos que estão a devorar sem qualquer piedade os “piolhos” das roseiras. Existem ainda outros insetos, os parasitóides, cujas fêmeas põem os ovos no interior de outros insetos vivos. As suas crias desenvolvem-se no interior deste matando a vítima.

 

Estes são alguns do serviços que os insetos prestam à agricultura. Sem eles seria muito mais difícil, senão mesmo impossível, ter certos alimentos no nosso prato. Agora, quando vir aquele bicho “esquisito” no jardim, observe-o de perto. Olhe que ele pode estar a trabalhar para si."

 

imagem: https://www.sciencenews.org/

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