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Estrada para Damasco

Um blogue sobre comunicação clara de ciência

Organismos Geneticamente Modificados: feios, porcos e maus?

20.04.20 | Cristina Nobre Soares

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A Leonor Cecílio é professora auxiliar na secção de genética da DRAT ( Departamento de Recursos Naturais, Ambiente e Território) do Instituto Superior de Agronomia. Este foi o texto que escreveu durante a 3ª edição do Comunicar Ciência Clara.

 

"Já ouviu falar em Organismos Geneticamente Modificados? E o que sabe acerca deles? Que são muito perigosos? Ou que vão salvar o mundo?

Organismos Geneticamente Modificados (OGMs) podem ser plantas, animais, mas também micróbios cujo DNA foi alterado artificialmente através da introdução de DNA “estranho”, ou seja, que não lhe pertence.´

O DNA é uma molécula de quatro letras (A,T,C,G) repetidas milhões de vezes que se encontra em todos os organismos vivos e funciona como um armazém de toda a informação genética. Quando a ordem das letras é modificada a sua informação também fica alterada e os organismos mostram características diferentes.

Os OGMs são feitos artificialmente com a técnica de DNA recombinante, que cola o DNA de duas espécies diferentes, por exemplo DNA humano e de micróbios como bactérias, tal como uma fita-cola pode juntar plástico e madeira. Assim nasce uma combinação de DNA nunca antes vista na natureza e que põe um micróbio a produzir uma molécula humana (substâncias produzidas pelas células do homem).

Os OGMs são assim importantes para fabricarem moléculas úteis de maneira eficiente e económica. Por exemplo, a insulina que os diabéticos têm que tomar todos os dias é hoje produzida em fábricas vivas. Milhões de bactérias geneticamente modificadas fabricam diariamente insulina igual à que as células humanas fazem, mas em grande quantidade e de uma maneira económica.

As bactérias modificadas são grandes aliadas no combate às doenças humanas e animais ao fabricarem medicamentos, que de outra forma seriam difíceis de obter e teriam um custo muito elevado. Podemos então dizer que estes são os OGMs que podem salvar o mundo.

Mas nem sempre é esta a opinião acerca  dos OGMs. É o caso do milho Bt que foi modificado com o DNA de uma bactéria e que fabrica uma substância capaz de matar insectos, portanto, um inseticida natural.

E com que finalidade foi criado este milho? A cultura do milho sofre bastante com o ataque de insetos que se alimentam das suas folhas e caules e causam grandes prejuízos nas culturas. Estes insetos são por sua vez atacados por bactérias que os matam e se alimentam deles. Então, para evitar usar muitos inseticidas químicos, que são prejudiciais ao meio ambiente, os cientistas pensaram fazer um milho que fosse capaz de fabricar o inseticida das bactérias: o milho Bt. Mas este milho tem um problema: mata os insetos “maus” mas também mata alguns insetos “bons” como borboletas que se alimentam nas flores do milho. 

E agora, os OGMs vão salvar o mundo, ou são perigosos? A pergunta não tem uma única resposta. Os OGMs são obras humanas construídas para ajudar o homem no combate de doenças e na produção de alimentos, mas por falta de cuidado de quem os produz e os usa, podem também ter efeitos prejudiciais. 

Saber mais sobre estes organismos torna-o melhor consumidor. Pois nem tudo é apenas mau nem apenas bom. E o meio-termo, que todos procuramos, só se encontra quando nos informamos.

 

 

 

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