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Estrada para Damasco

Um blogue sobre comunicação clara de ciência

Sabe como é que os insectos comunicam entre si?

08.11.19 | Cristina Nobre Soares

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A Elsa Borges da Silva foi aluna da primeira edição do curso “Comunicar Ciência Clara”, que decorreu no Instituto Superior de Agronomia. A Elsa é doutorada em ciências agrárias e investigadora no Centros de Estudos Florestais. Tinha como desafio, tal como os restantes alunos, escrever um texto de divulgação cientifica com cerca de 400 palavras. A Elsa escolheu este tema:

Sabe como é que os insetos comunicam entre si?

A comunicação é um processo que envolve a troca de informações entre, pelo menos, dois animais por meio de sinais e regras que ambos entendem. Este processo permite criar e interpretar mensagens, enviadas de um emissor (aquele que emite o sinal) para um recetor (aquele que recebe o sinal).

Mas, se, por exemplo, o ser humano comunica por palavras e gestos, os insetos comunicam através de sinais químicos de natureza volátil, ou seja, substâncias que circulam no ar. Estas substâncias, apesar de serem semelhantes a um perfume, são difíceis de detetar pelo nariz humano. Existem outros modos de comunicação, como por exemplo a produção de sons por parte de cigarras, gafanhotos ou grilos. No entanto, os sinais mais importantes são os sinais voláteis que permitem aos insetos encontrarem alimento, locais para pôr os ovos, parceiro para a reprodução, ou alertar para situações de perigo.

E quais são os órgãos que os insetos usam para comunicar?

A maior parte dos insectos usa as antenas, as quais funcionam como o nosso nariz. Nas antenas existem minúsculos sensores que reconhecem as substâncias químicas que se encontram no ar. Quando as antenas reconhecem um determinado tipo de substância, ou determinada quantidade dessa substância, produzem um sinal elétrico que é enviado para o cérebro. No cérebro, após a mensagem ser descodificada, desencadeia-se uma mensagem específica para um determinado músculo do animal e ocorre a resposta.

As antenas são diferentes entre machos e fêmeas. O macho tem antenas maiores e mais elaboradas do que a fêmea da mesma espécie. Esta diferença na anatomia da antena existe porque o macho tem de processar (identificar) um maior número de substâncias químicas como é o caso da feromona sexual. A feromona sexual é uma substância que a fêmea emite para que o macho (o recetor) a encontre.

Lembra-se quando falei que os insetos podem emitir alertas em situações de perigo? Isto acontece, por exemplo, no caso das formigas quando a sua vida fica em perigo. As formigas que se encontram na vizinhança libertam uma feromona de alarme para o ar e todas fogem para longe desse local. Da próxima vez que limpar um carreiro de formigas, que lhe tenha atacado o açucareiro, já sabe o que é que elas dizem entre si.

Imagem: silicon.co.uk